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O que é yoga? Quem é um yogi?

O que é Yoga

O que é yoga? Quem é um yogi?

o que é yoga menina em asana

É comum se referir aos praticantes de ásanas (posturas/exercícios físicos) como yogis, contudo nem todo praticante de ásana é necessariamente um yogi e existem pessoas que nunca praticaram, mas são. Ao que remete esse termo “yogi”? Quem é um yogi? Qual a sua relação com yoga? E afinal de contas, o que é yoga?

As palavras yoga e yogi são amplamente utilizadas nos vedas e em outros textos da tradição védica, como na Bhagavadgita e nas Puranas, para se referir a pessoa que busca o autoconhecimento. Portanto para entender o significado do yoga, primeiro devemos entender um pouco sobre a natureza do autoconhecimento.

A tradição védica coloca que a ignorância sobre nossa natureza é a causa fundamental do nosso sofrimento. Por não sabermos nossa natureza livre, nos identificamos com o corpo e mente,  sofrendo com suas limitações. Os Vedas apontam que a natureza do sujeito é a mesma felicidade que ele busca a todo momento, a paz, a liberdade, a própria eternidade.

Tendo esse “entendimento” sobre si como objetivo, a tradição prescreve um estilo de vida que possui um conjunto de valores, uma série de práticas físicas e mentais, e a exposição tradicional das Upanishads (parte dos Vedas, também chamada de vedanta, que tem por objetivo a transmissão do autoconhecimento).

Por detrás dessa estrutura prescrita pelos Vedas, o objetivo é que o estudo das Upanishads seja suportado por um aparato de disciplinas, que preparam o indivíduo para o entendimento de sua natureza livre. Como estamos falando de um conhecimento é natural que seja necessário um preparo, uma maturidade de vida, tanto emocional quanto intelectual. O processo é comparado com acender uma fogueira, o estilo de vida e as disciplinas secam a madeira e os Vedas são como o fósforo. Se madeira estiver muito molhada não é possível acendê-la e se o fósforo não for utilizado da maneira correta o fogo se apaga rapidamente. Para se referir a esse processo os Vedas utilizam os termos: yogi e yoga. Yogi é a pessoa preparada para receber o ensinamento ou a pessoa que tem esse objetivo e está se preparando. Yoga  é esse “pacote” que o yogi faz uso e as asanas, os exercícios físicos que conhecemos, são apenas a ponta de um iceberg imenso.

Agora com esse entendimento dos Vedas como meio para o conhecimento e todas suas atividades preparatórias, podemos analisar um pouco mais qual é a essência do yoga e o que define o yogi.

Existem dois enganos comuns atualmente no uso do termo yoga. O primeiro é que como alguns autores dividem o yoga em função de algumas práticas específicas, ficamos com a impressão de que as atividades do yoga sejam “tipos” de yoga separados uns dos outros. Por exemplo, as atividades devocionais como ir ao templo ou fazer um ritual são chamadas de “bhakti yoga” e as meditações são referidas como “dhyana yoga”. Bhakti significa devoção e dhyana meditação, ambos os termos não se referem a um “tipo de yoga” são apenas atividades que compõe o mesmo yoga e para o autoconhecimento as duas atividades são fundamentais. O segundo engano comum é a divisão do yoga em relação aos exercícios físicos e energéticos, hoje em dia temos por volta de 5 estilos básicos na prática de posturas como Iyengar ou Asthanga. A diferença no método ou estilo de exercício nos leva a crer que existe uma “variedade de yogas”, porém, na verdade são apenas modelos diferentes de práticas de exercícios e a maioria das posturas são comuns a todas elas.

A tradição védica coloca que a definição do yogi está no seu estilo de vida, mas aqui temos de tomar um certo cuidado pois em geral consideramos “estilo de vida” um conjunto de hábitos e não é esse o ponto aqui. Se o provérbio diz que o hábito faz o monge, podemos dizer que o que faz o yogi é o “karma yoga”. E que fique claro desde o início que “karma yoga” não é mais um tipo de yoga ou o conceito popularizado de trabalho voluntário. Apesar de ser comum o uso desse termo para se referir ao trabalho voluntário ou as atividades sem nenhum tipo de remuneração ou recompensa em vários ashrams (locais de estudo) na Índia. Essas atividades podem ter seu papel, mas, no contexto dos Vedas, karma yoga é a maneira como o yogi se comporta diante das ações (karmas) na sua vida. O próprio Senhor Krsna na Bhagavadgita coloca que existem dois estilos de vida tendo como objetivo o autoconhecimento: o estilo de vida de um renunciante, que se dedica exclusivamente aos estudos e o “karma yoga” para as pessoas que desejam continuar inseridos na sociedade, porém com a vida direcionada para essa busca espiritual. Esse ponto é importante porque o conceito de yoga muitas vezes é confundido com algum tipo de repressão ou disciplina rígida, mas na verdade existe a opção de uma vida normal com família e filhos descrita pelos próprios Vedas como um meio para o autoconhecimento.

Assim para as pessoas inseridas na sociedade, a tradição védica coloca que enquanto uma pessoa normal faz karma(ações) uma pessoa espiritualizada faz “karma yoga”. A palavra yoga é utilizada junto com o karma apenas para dar esse sentido, dizer que sua ação é “yoga”.

E afinal o que é yoga, o que é a visão de yoga?

A visão de yoga, que é essa atitude diante da vida, envolve dois aspectos:

  1. A visão ao executar a ação
  2. A visão ao receber o resultado da ação.

De acordo com os Vedas a visão de yoga ao executar uma ação está no uso da ação como um instrumento de preparação para o autoconhecimento. Qualquer ação do nosso dia pode ser usada como uma oração, quando ela está em harmonia com o Criador, que está na forma do universo a nossa volta. É esse oferecimento da ação ao Criador que a torna um instrumento purificador.

O que é yoga - Yoga é aprender a viver em harmonia com Deus

Yoga é aprender a viver em harmonia com Deus

Quando dizemos oferecimento, é importante saber o que é isso, senão vamos dizer: “eu ofereço essa ação para Deus!” e isso não é o que faz a diferença. O ensinamento é que o próprio Criador está na forma do universo a nossa frente e se apresenta como a decisão adequada em cada momento da vida. O dharma (ética) e a harmonia são manifestações divinas, assim como nossa capacidade de vencer nossos gostos e aversões para fazer o correto. E nós fazemos não por medo do que Deus fará conosco ou para deixá-lo satisfeito, pois, para o criador desse universo de bilhões e bilhões de estrelas, não existe nada grande o suficiente que possamos fazer capaz de deixá-lo zangado ou ainda não existe nele um sentimento de falta que cabe a nós preencher. Fazemos porque na base da nossa personalidade já existe embutido o valor pela união e o amor e quando oferecemos nossa ação, a executando em harmonia com o todo, desfazemos um sentimento de divisão e alienação. Assim como existe uma satisfação em colaborar com a nossa família e locais que participamos, com karma yoga descobrimos a satisfação de colaborar com a família que é esse universo inteiro. É uma atitude na ação que representa sobretudo uma maturidade em termos de objetivo de vida. Tendo o autoconhecimento como objetivo e enxergando as limitações das ações em nos fazer absolutamente felizes, somos capazes de descobrir essa maneira de viver.

Quanto ao receber o resultado da ação yoga é a apreciação da ordem responsável por esse resultado chegar até nós. Em geral, fazemos um plano de como a vida tem que ser, como as pessoas devem reagir e em qualquer ação temos um conjunto de expectativas. Não é possível realmente se abster dessas expectativas, porém estar alerta para o fato que entre uma ação e o seu resultado existe um ligação que não depende de nós é o que fará toda diferença. É dito que qualquer ação pode produzir quatro tipos de resultados: igual a expectativa, menor, maior ou totalmente diferente ao esperado. A pessoa atravessa a rua para pegar o ônibus e pode acontecer: o ônibus passa bem na hora e ela entra feliz, o ônibus demora a passar e vem lotado, ou antes mesmo do ônibus passar o colega de trabalho oferece uma carona, ou ainda a pessoa pode acordar três dias depois na cama de um hospital, porque o ônibus passou rápido de mais! E todos esses resultados são possíveis, ninguém planeja ir para a emergência e todo hospital tem a emergência lotada.

Os Vedas colocam que o Criador na forma da ordem do karma distribui o resultado da ação para cada indivíduo de acordo com as ações que ele realizou no passado. O conceito de injustiça divina e aquela tensão da necessidade de controlar o mundo, se vão na apreciação do Criador na forma dessa ordem cósmica que liga as ações e as pessoas. Assim, quando cada resultado ou situação surge na nossa vida aceitamos como uma atitude de reverência de quem está recebendo algo que vem do próprio criador, não importa se é doce ou amargo é o que está se apresentando naquele momento. Esse é um ponto importante para o yogi porque a vida está constantemente apresentando boas e más notícias que não dependem realmente da nossa escolha. Tendo o autoconhecimento como objetivo toda ação se torna uma possibilidade de crescimento, exatamente o que é preciso ser vivido por nós. Por outro lado, sem uma maneira de canalizar nossas expectativas ficamos a mercê do mundo, como um fanático por futebol fica a mercê do seu time sem ter um envolvimento direto com a sua vitória ou derrota. O Criador na forma da ordem preenche essa lacuna abrindo o leque de possibilidades de resultados e ao mesmo tempo sem tirar nossa participação da ação. Nós somos responsáveis pela ação e Ele o responsável pelo resultado das ações.

Dessa maneira karma yoga consiste em fazer a ação na forma de um oferecimento ao Criador e receber os resultados como vindos do próprio Criador de acordo com as minhas ações no passado. Essa maneira de tomar as decisões e encarar as situações na vida é a espinha dorsal do que é chamado de yoga. Afinal de contas toda disciplina ou prática de posturas culmina em uma vida equilibrada e em harmonia com a sociedade a nossa volta.

O “yogi”, portanto, não é apenas a pessoa que faz um monte de práticas e disciplinas apesar de elas serem fundamentais para o caminho espiritual, mas aquela pessoa capaz de trazer karma yoga para sua vida. Como karma yoga depende da apreciação do Criador que nasce da exposição aos Vedas, podemos dizer que os Vedas são a verdadeira essência do Yoga.
[blockquote align="center" cite="Jonas"]Se você gostou desse texto deve curtir também esse sobre os tipos de yoga.[/blockquote]

o que é yoga - arara

15 Comments

  • Claudio says:

    Era o q eu tava precisando ouvir!

  • Henrique Castro de Almeida says:

    Oi Jonas! Obrigado pelo texto! Realmente, a “atitude de yoga” de fazer as ações como oferecimento ao Criador e receber os frutos como vindos Dele é a espinhal dorsal do yoga. Mas não consigo ver essa atitude separada de um conhecimento sobre o Criador. Sendo assim, o que você diria sobre a relação entre a prática de ásana e pranayama e esta atitude diante das ações? É possível que mesmo sem “ouvir” Vedanta, alguém possa vir a alcançar esta atitude de yoga através da prática de ásana e pranayama?

    Um abraço

    • Namaste Henrique,

      obrigado pelo seu comentário. É verdade, não é possível karma yoga sem o conhecimento a respeito do Criador. Toda atitude nas nossas ações surge do conhecimento e isso vale para qualquer relacionamento. Não é possível amar sem conhecer e quanto mais se conhece mais se entende e mais verdadeiros se tornam nossos sentimentos e atitudes em relação ao outro.

      Sobre a prática de asanas e pranayama, a tradição védica coloca que elas tem como objetivo o trabalho do corpo físico e energético predominantemente e também ajudam na preparação da mente. Contudo ambos não são vistos como meios de conhecimento e por isso não são capazes de provocar essa mudança de atitude em relação as ações. Pode trazer mudanças na pessoa por favorecer uma mente mas calma ou disponível,
      mas não a visão do Criador que a peça chave de todo processo.

      Por isso não é possível fazer essa conexão sem a exposição apropriada aos Vedas, esse é o papel das Upanishads e Vedanta ser o meio de conhecimento para o Criador, bem como a natureza do indivíduo.

      E quando a pessoa possui alguma visão, mesmo sem ter tido um estudo formal, dizemos que ela é formada pela exposição a mensagem dos Vedas, que de alguma maneira indireta está presente na sua comunidade, seja pelo professor ou pela família. Afinal de contas não possuímos outro meio conhecimento disponível para o Criador.

      É dessa maneira que podemos afirmar que direta ou indiretamente os Vedas são a fonte, a essência de toda a vida de Yoga.

      harih om

      Jonas

  • Que prazer poder ler um texto como esse! Como sempre inspirando nós praticantes!!! Obrigado Jonas!

  • Deolinda Semedo says:

    Gostei imenso. Tanto conhecimento transmitido.
    Muito obrigado
    Om Shanti

  • Texto perfeito. Hari Om querido Jonas!
    Sandro Shankara

  • Gostaria de saber o maximo possivel sobre o yoga.

    • Olá Eduardo, essa é a idéia mesmo. Você pode conferir nossos outros artigos na categoria: “Yoga” e assistir os videos da seção: “conhecendo a tradição védica”. Dúvidas e sugestões pode colocar por aqui.
      harih om
      Jonas

    • A idéia é essa mesmo. Você pode percorrer os artigos da categoria Yoga e nossa seção de vídeo conheccendo a tradição védica. harih om (Dúvidas pode deixar aqui)

  • As "diferenças" e semelhanças.

  • Achei muito interessante quando ele diz que como todo conhecimento, é natural que exista um preparo, uma maturidade de vida tanto emocional como intelectual. E gostei mais ainda do paralelo feito com a lenha e o fósforo, para o processo do autoconhecimento.

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