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Por que insistimos tanto em causas perdidas?

Causa perdida

Por que só me interesso por quem não presta? Por que insistimos tanto em causas perdidas? Por que não consigo me livrar do que faz mal para mim? Por que parece que estou a mercê dos meus desejos? Por que eu sou tão burro? Por que minha vida parece um teatro? Por que sustento tantas falsas esperanças?

Todas essas perguntas e muitas outras fazem parte do nosso cotidiano e nos fazem acreditar que a mente possui algum tipo de defeito. Porém, é exatamente esse “defeito” que nos faz humanos e o que move a roda da vida – o samsara.

Desejando ser feliz, estamos constantemente calculando nossas ações para fazer a melhor opção e tirar o maior proveito de nossas vidas. Essas ações têm dois componentes: o desejo pelo resultado da ação que pode ser um objeto ou situação e o conhecimento de como executar a ação com os benefícios associados ao seu resultado. Estimulados pelos desejos, usamos o conhecimento adquirido para melhor tomada de decisão.

Quando a pessoa possui o conhecimento e o desejo na mesma direção, ela se sente confiante. Por mais que ela saiba que o resultado obtido depende de vários fatores que ela não controla, ela tenta e confia na sua decisão e fica na expectativa do resultado. Neste caso não existe um conflito propriamente dito, no máximo a frustração da falha e mais aprendizado com as novas informações.

O conflito aparece quando existe o desejo pelo objeto, mas o conhecimento não deixa espaço para a confiança de que é possível obter o resultado esperado. Esse conflito também é gradativo e se intensifica com cada tentativa frustrada, onde reformulam-se os planos e tenta-se mais uma vez. Gradativamente, a confiança que estava firme, primeiro se torna vaga – com aquele desconforto de que “existe algo errado com essa situação”, depois vira frustração – com a manifestação de expressões irônicas de azar que culminam na revolta e, por fim, a confiança vira um colapso depressivo de um sentimento de impotência que se expressa através de todas essas perguntas citadas anteriormente.

Dependendo da força do desejo e da nossa capacidade discriminativa, é possível parar no meio desse processo e seguir a vida em outra direção, mas para alguns assuntos, situações ou pessoas, nos sentimos impotentes. Cada passo é como se não conseguíssemos largar e seguir em frente. O desejo parece ter uma força inexplicável que nega até mesmo todas as evidências lógicas de que o resultado esperado não poderá ser alcançado.

A tradição védica explica esse fenômeno dizendo que o poder que um objeto tem de fazer o indivíduo feliz não é sua propriedade intrínseca, a felicidade é a natureza do sujeito que está sendo projetada sobre o objeto. Por ser a natureza do sujeito a busca pela felicidade não pode ser descartada e enquanto ela estiver projetada sobre o objeto, existirá o desejo, por mais ilógico que seja a essa projeção. Categoricamente chamamos esse desejo  de “esperança”. E como diz o ditado é a última que morre, pois ninguém é capaz de largar a busca pela felicidade.

E como lidar com a esperança e com esse tipo de situação ou desejo?

Podemos colocar em 3 passos o que pode ser feito nessa situação: 1 Produção de anti-corpos, 2 Aplicação de medidas preventivas e 3 Utilização do Super-Terapeuta.

1 Produção de anti-corpos

Estamos diante de uma situação que é como uma miragem. Existe um desejo por algo ou situação que já foi repetidamente provado como incapaz de me fazer feliz, por uma série de motivos. Esses motivos se forem trazidos a tona no momento em que nos imaginamos felizes com o objeto, funcionam como anticorpos para o meu desejo por aquele objeto.

Na BhagavadGita, o Senhor Krsna expõe que o desejo faz parte de uma cadeia mental, que começa com a meditação no objeto. Literalmente como uma propaganda, fazemos uma imagem mental da utilização do objeto e nos vemos felizes com ele. Essa meditação depois de um tempo se transforma em apego e esse apego em um dado momento aparece na mente como um desejo: “eu quero aquele objeto”. Para combater o desejo na sua origem é necessário ver como essa meditação de que “sou feliz com o objeto em questão” é falsa e para isso trazemos à tona todas as razões que tenho para me afastar do objeto e por fim visualizo a mesma situação com as frustrações e tristezas associadas a ela.

2 Aplicação de medidas preventivas

Nem sempre os nossos “anti-corpos” são suficientes, às vezes estamos no mesmo ciclo vicioso há anos e se tiver alguma ação direta para minimizar os danos daquela ação, ela deve ser tomada. Essas medidas preventivas, apesar de algumas pessoas considerarem um sinal de fraqueza , são na verdade atos nobreza e humildade no reconhecimento das nossas próprias limitações. Quando estamos sobre a força do desejo, é como se nosso intelecto fosse encoberto por uma fumaça. Enquanto a fumaça não vem, o sábio realiza suas as ações preventivas, como uma tartaruga que se recolhe ao sinal do perigo, antes de entrar na zona de descontrole (Bhavadgita CapII – yadaa saMharate …)

Cada situação pede uma determinada ação preventiva e elas são inúmeras: desligar o celular, apagar o telefone, trancar a geladeira, não levar a carteira para o shopping, não se comunicar quando nervoso e etc.

Esse foi o método empregado por Odisseu para poder ouvir o canto da sereia:

“Graças aos conselhos da feiticeira Circe, Odisseu e sua tripulação conseguiram escapar do encanto das sereias quando retornavam a Itaca, usando de uma estratégia. Os marinheiros colocaram cera nos ouvidos e Odisseu amarrou-se ao mastro do navio, pois ele queria ouvir o canto das sereias e assim vencê-las. Recomendando que os marinheiros não o soltassem em nenhuma hipótese, os argonautas passaram ilesos…” (mais sobre essa história)

3 Utilização do Super-Terapeuta

Até mesmo as ações preventivas têm um limite, não dá para evitar todas as situações e pessoas. Se o problema permite uma solução direta ou se ele não provoca dano para nós e aos outros a nossa volta, ótimo, porém isso nem sempre é possível e ainda existem vícios e desejos que não são nem mesmo dessa vida cuja solução não é viável. A busca pela mente perfeita é uma tarefa impossível. Mesmo que a mente fosse perfeita, ela ainda seria formada por impressões parciais de objetos e situações que estão sempre mudando e portanto estaria constantemente defasada.

A aceitação da ordem psicológica que permeia a mente e os objetos de desejos é onde reside o segredo para lidar com a mente e sua natureza que parece “defeituosa”. Não precisamos saber o motivo de todos os desejos ou reações da mente, mas entender que a mente está inserida em uma ordem, com um funcionamento que é inclusive estudado pela psicologia e que não é possível ter nenhum tipo de pensamento inadequado ou sem uma causa, mesmo que essa não seja conhecida. Nesse ponto entra a tradição de ensinamento mostrando como até mesmo os nossos pensamentos são parte de uma ordem maior, a ordem do karma, que dá os resultados das nossas ações do passado. Essa ordem psicológica e de karmas não estão separadas de todo o resto do universo, o universo é um grande “ser-vivo” – que é nosso Super-terapeuta, o próprio criador.

Por fim podemos recorrer a Ele, na sua apreciação, como a ordem que traz os desejos, encontramos uma adequação que transcende as imperfeições da nossa mente e também através de orações, através das quais podemos atuar diretamente na ordem karmica para que tenhamos força para cruzar os nossos obstáculos. A utilização das orações como uma forma de lidar com o universo é “ser objetivo” e é onde culmina a apreciação de Deus do ponto de vista prático da vida. Essa objetividade é chamada de maturidade religiosa que faz parte do processo de autoconhecimento, apesar de não ser seu objetivo.

Para saber que estamos em “boa companhia” vamos lembrar de alguns fatos interessantes:

  • Quando Rama perdeu Sita ele ficou tão desesperado que perguntava até para as pedras por onde ela andava.
  • Toda a Gita aconteceu por causa de um jogo de dados que nosso amigo Yuddhistira não se segurou e apostou até a esposa. (Não foi o primeiro, nem será o último que tem problema com jogo)
  • O sábio Vishvamitra, professor de Rama, cujo nome significa “amigo de todos” pois todos tinham medo dele, sendo simplesmente o recordista de maldições entre os sábios da época. Ele era amplamente conhecido por isso.

Veja esse vídeo da Lily, que quer ir para Disney e observe como a felicidade está projetada na mente da criança e como, nós, observando a criança, somos também contagiados pela a alegria e entramos em contato com uma felicidade que está ali, sempre disponível para gente. Assim é o ser-humano e o samsara! Hari om

 

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